terça-feira, 8 de junho de 2010

DECEPÇÕES...


Porque nos decepcionamos com uma pessoa, com um acontecimento, com uma situação, com a vida? A decepção é um sentimento tão frustante, talvez seja das sensações que mais me entristece, me deita abaixo, me impede de continuar, me bloqueia. Será que criamos expectativas altas demais? Ou será que as expectativas eram norm...ais, próprias e adequadas, mas a decepção teimosamente nos bate à porta? Será um problema de ansiedade, de querermos que tanto se realize, que tanto aconteça? Será que somos exigentes demais, e exigimos dos outros, coisas que nem nós próprios sabemos fazer? Será que uns são mais atreitos a decepções que outros? Será que uns, nem percebem a decepção não lhe dando a importância que outros lhe dão? Será que as decepções só acontecem aos emotivos? Aos frágeis? Aos corajosos? Aos exagerados? Aos idiotas? E acordar depois de uma decepção? Acordar para a Vida, acordar para o Dia, pôr os pés fora da cama, levantar o corpo, calçar qualquer coisa para começar a pisar o chão, a terra, olharmo-nos no espelho, olhar uns olhos decepcionados… E depois, muitas vezes voltar ao mesmo sítio, ao mesmo local, ver a mesma pessoa, ter de falar com essa pessoa, voltar e reencontar o mesmo ambiente, o mesmo cenário….. Reagir…. Como se faz para Re Agir? Reagir é voltar a agir! Para voltar a agir, é preciso ter vontade de agir. E o mundo que nos rodeia, exigente, que não tolera a insatisfação, não tolera tristezas, que como uma criança mimada, quer-nos Lindos, Contentes, Sorrizinhos, Arranjados, Elegantes, Perfeitos, e todos nos pedem, “Vá reage, faz qualquer coisa, tens de melhorar! Lá estás tu com o teu péssimismo!…” E para culminar, lá dizem a frase: “Não percebo, porque ficas assim, não é caso para isso!” E nós, envolvidos num manto negro de tristeza, de amargos na boca, de nós no estomâgo, de dedos das mãos frios, de joelhos ligeiramente a quebrar, ficamos perplexos a olhar para aquela gente que nos diz “Que não é nada!”. Não é nada???! Mas não percebem, que para nós É TUDO! Que houve uma derrocada de terras, por cima da nossa boca, que houve uma inundação de líquidos salgados, que nos deixou molhados de suores frios, que o nosso coração saltou, mexeu-se, como se de um sismo se tratasse e nos deixou com taquicárdia, que houve um corte a meio dos nossos pulmões, e os pôs a trabalhar em limites mínimos, que sentimos o sangue a parar nas veias e que fomos invadidos por um vento frio e quente, que levantou todas as areias no ar que nos sufocam e nos cegam? Pois, não vêem isto? Faltam as lágrimas? Ah, as lágrimas, as piegas lágrimas, que comovem os outros… Mas olhem, os decepcionados não choram por fora, choram por dentro! Choram, choram, choram, até ficar secos, como um solo africano, seco, ressequido, morto. Deixem-nos enterrar uma decepção, como se de um corpo morto se tratasse, deixem-nos enviuvar, chorar aquilo que nunca acontecerá, que nunca iremos possuir, deixem-nos cair no chão (não nos levantem, por favor!), de pernas e braços abertos deixem-nos gritar, gritar muito para que saiam os espíritos malígnos que nos envenenam, deixem-nos enlouquecer, perder o juízo, falar sózinhos, deixem-nos sair para a rua de robe e chinelos como um velho senil, deixem-nos estar sós, desgrenhados e sem comer, deixem-nos fugir (não vão à nossa procura, por favor!) e se quisermos deixem-nos morrer.

DEVANEAR...


A vida nada nos ensina, na verdade ao viver se aprende apenas a morrer, mas não o ato apenas de morrer, morrer de uma forma amena, tornar a dor diminuta até a morte, ampliar caminhos para seguir apenas com uma certeza: Há de se morrer uma dia.
Assim se sofre menos, se morre com um sorriso...
Assim caminhamos, aprendemos e cada dor que pelo caminho encontramos, torna-se o refrigerio da alma que cada dia ao viver não vive, degusta um pouco do morrer. Na verdade ninguém nos ensina a morrer, a vida nos prepara para tal morte, assim ao decorrer do tempo não vamos vivendo, vamos morrendo, a dor se torna algo não mais sentido, apenas percebido, se sabe que ali esta ela, basta fitar olhos é contemplar seu sorriso.
No inicio a dor aparece como uma presença insuportavel e isso se testifica com lágrimas, desespero e mágoa.
Ao longo do tempo vamos nos unificando para com ela e percebemos que ela, a dor, é apenas a companheira mais chegada, fiel, aquela que não se vai, que ao nos abraçar é fria, mas ao longo do tempo nos aquece ou nos esfriamos juntamente com ela?
Não sei ao certo, de certo sei que estou nesta morte de viver, mas mesmo sendo o final de todos, o caminho é só. Alguns se desesperam um pouco mais, outros se recusam a aceitá-la, mas todos ão de abraça-la, dela se alimentam, por isso vivem, por isso morrem.
Fui me acostumando com tal gosto, antes o que seria o fel, hoje se tornara doce, suave, mel.
Assim me encontro ao me perder em mim mesmo.
Assim a cada dia vamos nos despreendendo, o passado que outrora fora a dor agora nos vem apenas como sombras, não as que assustam ou assombram, mas como aquela que nos descansa em meio as aguás da morte no existir. É uma dor surda, que vagueia, constante que nem mais se parece dor, há uma beleza envolta em seu âmago, aquela que outrora nos levava a fuga, hoje nos fascina, nos leva ao seu encontro, deixando para trás tudo que é, foi ou será. Pouco importa! O final será ela.
Me custava entender, demorei ao encontrar.
Engraçado, até parece não ser morte, até parece que algo de tudo isso ficou ou que sou alguma coisa sem ela, apenas ela o é.
Agora vou me acomodar, preciso em tal gosto devanear...

“Na morte de viver se entende que na verdade se vive para a vida de morrer.”

"Morremos gestantes da ansiedade que nada espera."

AMOR INGRATO 3...


Que triste foi para mim conhecer o amor
Que me deu felicidade mas também muita dor...
Quando tudo parecia estar bem, algo mudou!
O quê não sei, só sei que acabou!
Meu amor por ti é maior que o mundo
Por isso me sinto como num posso sem fundo
Nosso amor é tão lindo e ainda não findou
Mas por sermos diferentes a relação terminou
Não aguentava mais tanta pressão
Agora não suporto tamanha solidão
Ficámos amigos (ou não), mas não te quero ver
Pois o meu coração é frágil e estou a sofrer
Basta de sofrimento, basta de solidão!
Preciso voltar a viver e esquecer esta paixão
que me leva à depressão...

AMOR INGRATO 2...


Ele não te avisa quando chega
Não se despede quando sai
Ele vê hora e local
Mas destrói completamente uma pessoa
Que não esta preparada para ele
Destrói quando sai
Quando é esquecido
Anima quando chega
Quando é lembrado
Faz valente o maior covarde
Ou vice versa
Quem é ele?
E o que pensa?
Se acha dono de você?
Te domina, te fere
Te envelhece, te faz jovem
Faz o que bem entende de você
E você aceita o protege
Você esconde, você ri
Ou talvez até chore
Você não se cuida, você se odeia
Tens vergonha de si próprio
Isso é o amor ingrato
Verdadeiro ou falso
Honesto ou mentiroso
Bem ou mal
É ele, onde na verdade é sempre ela…

AMOR INGRATO!


Era pra ser diferente.
Era pra se ter menos expectativa, pra encarar como algo temporário, mas que ainda assim pudesse ser bom.
Era pra eu ter começado a entender as coisas, afinal de contas a idade (e esperava-se, a maturidade também) já deveriam fazer alguma diferença.
Mas não foi o que aconteceu.
Ainda que com toda diferença geográfica, cultural e de comunicação, tive certeza de que pudesse ser diferente.
Cogitei ter um amor além dos limites de onde a minha imaginação um dia ousou chegar.
Vi que deveria me abrir, afinal de contas, o amor poderia sim, acontecer a qualquer hora e em qualquer momento.
Me vi disposto a pagar pra ver, ainda que não fosse a alternativa mais fácil ou mais plausível.
Mas falando em amor, o que e fácil ou o que deve ser?
O momento era de outras grandes prioridades, mas tudo estava acontecendo duvidando da impossibilidade dos contos de fadas da vida real.
Tudo parecia seguir a contento do coração e desafiando o destino, mostrando que não havia mais escolha.
Mas nas relações não se pode acreditar nem em contos de fadas imperfeitos, porque mesmo na ficção eles não existem.
Então, o que era extrema educação e polidez ingleses se tornaram amontoados de desculpas e um comodismo que eu pensava ter encontrado suficiente em outro relacionamento.
O castelo ruiu, desabou.
Assim como parte de mim, por ter mais uma vez confiado que coisas muito boas podem acontecer ainda que num curto espaço de tempo, ainda que se tenha que doar tanto, ainda que se tenha que desafazer de tantas coisas, ainda que.
Hoje estou no país estranho, ainda com novas amizades, novas experiências, cultivando novos hábitos, nova língua e a mesma armadilha.
A mesma de sempre.

NÃO QUERO X QUERO...


Não quero que se declare de supetão, como se não tivesse digerido suas palavras, ou para quebrar o silêncio.
Não quero que rompa com sua família, como se não houvesse mais ninguém no mundo.
Não quero que mude suas opiniões para as minhas
Só quero que não faça joguinhos
Só quero que se expresse sem medo de parecer de mais ou de menos
Tudo o que é racionalizado não é espontâneo
Sentimentos não são pensamentos, o próprio nome já diz
Palavras não são atitudes
Quero sentimentos sentidos, vividos, experimentados
Se for amor, bem vindo o amor!
E se não for, bem vinda a amizade!
Quero conhecer os seus
Quero que conheça os meus
Quero você com os seus, e eu com os meus, transformando em nossos
Quero opinião formada, cabeça feita
Quero outro ponto de vista
Quero persuasão, desentendimento, concordância e não
Quero falas, mais que palavras
Quero real, e não virtual
Não quero promessas, não quero palavras, nem juras
Não quero frases feitas
Não quero olhar 43
Não quero muito
Não quero pouco
Só não quero você aí
E eu aqui!!!

LOUCO...


Não importa se vc lambe as janelas, ande num ônibus especial ou então, ocasionalmente vc se comporte como um(a) louco(a)... Mas aguente porque vc é especial... A cada 60 segundos que vc passa com raiva, contrariado ou louco, equivale a um minuto de felicidade que vc perde... A vida é curta, quebre as regras, perdoe rapidamente, beije lentamente, ame verdadeiramente, ria sem controle... E nunca se arrependa de coisa alguma que te faz sorrir. A vida pode não ser uma festa que sempre esperávamos, mas enquanto estamos aqui devemos dançar.

AMEM OU NÃO: MAS QUE SEJA ASSIM COMO EU SOU!


Por favor, não me digam:
- por qual caminho devo seguir;
- em qual esquina devo parar;
- a quem eu devo amar, para ser feliz;
- o que eu devo estudar, para ser próspero;
...- que profissão escolher, para ter "futuro";
- que comportamento devo ter, em cada ocasião: pois sou o que sou e não "o que querem"!
Sou assim!
Amanhã, pensarei no caminho a seguir;
- em qual esquina devo parar;
- a quem devo amar, se eu a encontrar;
- o que estudar, e se devo estudar;
- onde trabalhar e como me comportar.
Por favor, não me peguem pelo braço,
tentando me conduzir!
Eu não gosto, que me conduzam.
Esta atitude, não me favorece em nada,
pelo contrário, me deixa perdido,
só e sem amor...
Porque me querem assim?
Fútil, comum e tributável?
Será que isto é realmente,
necessário para ser feliz?
Por favor, me deixem construir meu rumo,
com meus passos!
E, se realmente, querem me ajudar:
me amem ou não, mas que seja assim como sou;
pois é assim que eu sou feliz!
E se não sou feliz, pelo menos eu luto para um dia ser, com Você ou não...

RETROVISOR...


Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra e na verdade... nada muda
A criança que me pediu dez centavos é um homem de idade no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
...É mãe de filhos que não conhece
Vendeu-os por açúcar
Prendas de quermesse
A placa do carro da frente se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso e quando o faço nem noto
O farol fecha...
Outras flores e carros surgem em meu retrovisor
Retrovisor é passado
É de vez em quando... do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde... próximo... seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi... calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe... que coisas são essas

ADEUS!


Adeus...
Tanto te quis, em vão,
Tanto te esperei, te chamei e não viestes,
Foi tanta a demora que nosso tempo se esgotou,
Chegou a hora do adeus,
...Que os amigos e amores se separem,
Que toda a esperança se desfaça,
Que todos os sonhos se desmanchem,
Que todos os nós se façam na garganta,
Que toda a tristeza do mundo corte, bem fundo,
Que toda a saudade se faça irremediável,
Que todo o chorar se torne inconsolável,
Tanto te quis, em vão,
Tanto te esperei, te chamei e não viestes,
Foi tanta a demora que nosso tempo se esgotou,
Que teus olhos se fechem na minha alma,
Que teu nome se cale em minha boca,
Adeus...

ESOPO E A LÍNGUA ...


Esopo era um escravo de rara inteligência que servia à casa de um conhecido chefe militar da antiga Grécia. Certo dia, em que seu patrão conversava com outro companheiro sobre os males e as virtudes do mundo, Esopo foi chamado a dar sua opinião sobre o assunto, ao que respondeu seguramente:- Tenho a ma...is absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado. - Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando? Como podes afirmar tal coisa? - Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra. Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se. - Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo.- A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. - Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos.- Acaso podeis negar essas verdades, meu amo? - Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo. - É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra. Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua. Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta: - Por que vos admirais de minha escolha?- Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios. - Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. - Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. - Acaso podeis refutar o que digo? Indagou Esopo. Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade.